O Governo sacrifica os clientes com participações preferentes

Como um cordeiro que entra em um matadouro. Assim se viam nos últimos dias, os detentores de participações preferenciais à espera do parecer do FROB sobre a “remove” ou perda de valor de todos os produtos comercializados por entidades hoje nacionalizadas. Se alguns, pela manhã, aumentavam as suas esperanças de aprovação por parte do Governo de um decreto-lei de “proteção” aos titulares de varejo preferenciais -que cria uma comissão que elaborará os critérios para acessar as arbitragens e ordenava, por sua vez, a criação de um fundo de 2.000 milhões entre os bancos para pagar santos, NCG e CatalunyaBanc-, pela tarde, veio o balde de água fria com o anúncio do FROB de tirar as participações preferenciais de entidades nacionalizadas.

Em particular, os mais prejudicados serão os que adquiriram preferenciais de Catalunya Banc, que sofrerão uma redução do investimento de 61%, seguido de Banco Galego com 50%, Instrumentos com 43% do valor nominal e Bankia, com 38% a menos.

Bankia e as diferenças com o resto de entidades

Com cerca de percentagens para fazer a tremer, no início, parecia que os clientes do Bankia eram os menos prejudicados, mas não é assim, e a razão está na troca, o que não será o dinheiro, mas sim em ações. No caso de Instrumentos ou Catalunya Banc, que não são cotados no mercado, as participações serão compradas pelo mesmo FROB usando a derrama de 2.000 milhões decretada pela manhã, mas no caso do Bankia sim cotados no mercado e terá que recorrer a ele para a sua venda, e com novos suportes de ações que desejam recuperar o seu dinheiro será para baixo, em um valor, já de si punidos. E é que no mesmo dia se decretava o valor nominal das novas ações, que acontecerá de 2 euros atuais de 0,1 euros. Não obstante, o câmbio nominal (“split”) não afeta, em teoria, para os que têm ações: neste caso, divide-se o valor unitário de cada uma, por 20 mas é multiplicado pelo mesmo número que o número de acções que se tem. O problema está na emissão de 0,48 “bilhões” de novos títulos, que transmite o FROB para injetar fundos recapitalizados aos que há que adicionar todas as novas que vêm da troca de preferenciais, com ações cotadas a 0,25 euros e foram cair 93% sobre o preço de saída. Neste ambiente, o mais provável é que, o que vender, depois de perder a 38% de seu investimento em preferenciais, adicione um importante percentual de perdas adicionais para recuperar o seu dinheiro.

Liberbank os próximos prejudicados

Um exemplo de como os mercados rematarán para os afetados pelas preferenciais vamos ter em breve com a saída da bolsa de Liberbank com algumas ações fruto da troca de emissões de Dívida Subordinada e Acções preferenciais das entidades que agora fazem esta entidade: CajaAstur (que, por sua vez, absorveu Caixa Castilla-La Mancha), Caixa Cantábria e Caixa Extremadura. Um resgate que é “obrigatório” e que, se mais de 10% dos detentores destes títulos de Dívida se recusam, o FROB, que foi injetado 1.400 milhões em sua capital, impõe a obrigatoriedade de adicionar uma remove o mesmo que aconteceu com o resto de entidades nacionalizadas. Perante esta saída, e mesmo aprovando a CMVM o folheto de saída à bolsa, foi feito um aviso de que a forte queda de valor que pode ocorrer quando o dia 16 de maio, o banco comece a ser negociadas no Mercado Contínuo.

Um caminho perigoso

O que resta? Com uma tensão social cada vez maior, o controlador lnaza o “curso de vida” da arbitragem. É dizer, se se provar que foram enganados na contratação podem recuperar 100% do investimento com esse processo que agora o Governo “institucionaliza”. Entre 25% e 30% dos clientes que solicitaram esse processo Catalunya Banc e Instrumentos Banco conseguiram a devolução de seu investimento. Olhando para ele do outro lado, quase 3 em cada 4 investidores preferenciais lhes considerar que sabiam dos riscos do produto parece completamente longe da realidade, mas, se vemos de outro dado, é que as quantidades devolvidas a este quase 30% dos clientes corresponde a 16% do total, fica clara uma outra realidade, retorna-se principalmente ao que gastava, em pequenas quantidades, menos “doloroso” para o banco e engorda a estatística de casos resolvidos que vos apresenta o Governo. Sempre resta a via judicial, mas nem todos podem, nem os resultados são garantidos.

Em última instância, a consolidação das instituições pior geridas, seguimos pagando os cidadãos. Os 60.000 milhões contribuídos (20.000 diretamente do FROB e 40.000 do “empréstimo” da União Europeia (ue), computados como dívida e têm um custo em juros. Tudo no intuito de cumprir com a União Europeia (o custo do empréstimo da UE tva além de as taxas de juro) e de dar viabilidade ao sistema financeiro acima dos cidadãos. Há muito a caminhar até que as entidades sejam vendidas, vejamos se podemos recuperar o que foi aportado por todos, ou acabamos com a outra “remove”, desta vez, para todos os espanhóis.

Sobre o autor:

Antonio Gallardo, iAhorro.