Quando as hipotecas valem mais do que a garantia do Estado

Se você está entre aqueles que pensam que as hipotecas na Espanha são percebidas pelo mercado como activos tóxicos, nós encorajamos você a ler o seguinte gráfico. Trata-Se da cotação de 3 tipos de dívida com prazos semelhantes. Por um lado, na cor verde, um bônus público de Portugal. Na cor vermelha, um bônus padrão do BBVA (senior unsecured – é dizer, o único apoio do comprador do bónus que BBVA paga é o “bem fazer” do banco em geral). E, por último, na cor laranja, um bônus do BBVA apoiado com um grupo específico de hipotecas, que o banco tem concedidas. Trata-Se de uma cédula hipotecária.

Em um bónus normais sênior-unsecured, o bonista tem recurso ordinário contra o balanço do banco. Em uma cédula hipotecária, o bonista tem recurso preferencial contra a carteira específica de hipotecas, que se utilizam de apoio, e além disso ordinário contra o balanço geral do banco. Portanto, em circunstâncias normais, uma cédula hipotecária tem que oferecer menor rentabilidade que um bônus padrão de um banco, porque oferece igual ou superior a segurança de repago ao credor que um bónus normais.

Vamos mais além. Enquanto um bônus padrão de um banco tem “mais ou menos” uma rentabilidade semelhante em que o bónus público de Portugal de acordo com o momento específico, uma cédula hipotecária tem menor rentabilidade! E isso sem descontar o fato de que as cédulas hipotecárias costumam levar par um “prémio de iliquidez”, para compensar o fato de que não são tão fáceis de trocar, como os títulos públicos.

Deixando de lado primas de (i)liquidez, é indubitável que a mensagem por trás deste gráfico é sólido: os investidores preferem hoje analisar a capacidade de repago de um grupo de hipotecados e o valor residual de suas casas antes que o risco de inadimplência por trás de um Governo.

Isso é lógico? Dado o ponto a que chegou a crise… pode ser que sim. Ao menos,parece claro que isso pensa o mercado. E é que a crise passou por várias fases. Primeiro, foi “coisa de os bancos”, e essa “Fase I” o seu risco de ser demitido. Na “Fase II”, os Governos entraram para o resgate, começando a sobreposição de ambos os tipos de riscos. Quando os Governos asseguram a seus bancos, os seguros de falta de pagamento (CDS), que sobem de preço ao ser colocada ao mesmo nível de seus bancos. E na “Fase III” a transferência de riscos já é eficaz e evidente, e os Governos têm seguros de falta de pagamento mais elevados do que os seus próprios bancos.

Conclusão: Quem disse que as hipotecas sejam ativos tóxicos?

Os bancos são, de acordo com refletem os preços dos seguros de falta de pagamento –CDS-, mais seguros do que os Governos. E, observando os bônus, existe uma maior volatilidade… mas existem bônus que oferecem constantemente uma menor rentabilidade que o bônus do Governo: o ser para aquele que oferece como suporte preferencial o ativo hipotecário do banco!

Por isso os bancos não querem livrar-se de suas carteiras hipotecárias: porque são uma valiosa ferramenta para financiar-se. Mesmo com os maus resultados de mora que arrastam, são uma garantia a mais valiosa do que a própria garantia do Governo!